
rainha no Processo de
Enxameação?
A rainha não “manda” no enxame — mas sem ela, nada acontece. Entenda o papel duplo, paradoxal e fascinante que a rainha desempenha em um dos eventos mais complexos da biologia dos insetos.
2 rainhas
Envolvidas no processo — velha e virgem
Feromônio
O gatilho invisível que tudo controla
Fica
A rainha velha — ao contrário da Apis
Virgem
Parte sem ter se fecundado ainda
O paradoxo central: A rainha é simultaneamente a causa da enxameação e a razão pela qual ela não começa antes. Seus feromônios suprimem a produção de novas rainhas durante anos — mas quando esses feromônios enfraquecem com a idade ou com a superlotação, desencadeiam o processo que ela própria não controla mais. E ao final, a rainha que fica é a velha, experiente e produtiva — enquanto a virgem inexperiente é quem parte para o desconhecido.
👑 Dois Papéis, Duas Rainhas: A Velha que Fica e a Virgem que Parte
Para compreender o papel da rainha na enxameação das abelhas sem ferrão, é preciso entender primeiro um fato que surpreende quem vem do mundo da apicultura convencional: em meliponíneos, são duas rainhas que participam do processo — com papéis radicalmente opostos.
Na abelha europeia (Apis mellifera), é a rainha velha que parte com o enxame — deixando para trás a nova geração. Nos meliponíneos, a lógica evolutiva é invertida: a rainha mãe, experiente, fecundada e com anos de postura regular, permanece na colônia original. Quem parte para fundar a nova família é a rainha virgem — recém-emergida, inexperiente, ainda não fecundada.
A Rainha Velha — Que Fica
Physogástrica · Fecundada · Experiente
- Permanece na colônia mãe após o enxame partir
- Continua posturando normalmente em dias ou semanas
- Carrega toda a “memória genética” estabelecida
- Seus feromônios já estão calibrados com a colônia
- É o ativo mais valioso da colônia — preservá-la é estratégia evolutiva
- Pode ter 2 a 5 anos de vida ainda pela frente
- Espermateca cheia de esperma viável para anos de postura
A Rainha Virgem — Que Parte
Recém-emergida · Não fecundada · Inexperiente
- Parte com o enxame para fundar a nova colônia
- Ainda não realizou o voo nupcial — fecundação ocorre depois
- É acompanhada por centenas a milhares de operárias
- Carrega apenas seu potencial genético — sem histórico
- Será fecundada por múltiplos machos no novo local
- Começa a posturar semanas após chegar ao novo ninho
- Sua “missão” é fundadora — criar do zero uma nova família
🧬 Por que a evolução favoreceu essa inversão? Manter a rainha velha na colônia mãe preserva décadas de adaptação local, calibração feromonal e diversidade genética já estabelecida. A colônia mãe mal perde produtividade após o enxame — a rainha retoma a postura em dias. É uma estratégia de baixíssimo custo reprodutivo para a colônia original, ao contrário do que ocorre com a Apis mellifera, onde a colônia mãe fica temporariamente sem rainha experiente.
🧪 O Papel Químico da Rainha Velha: Os Feromônios que Controlam Tudo
O papel mais importante da rainha velha no processo de enxameação é, paradoxalmente, o papel que ela deixa de exercer. Durante toda sua vida produtiva, a rainha physogástrica produz um conjunto de feromônios que mantém a ordem social da colônia — e suprime ativamente a produção de novas rainhas. Quando esses feromônios enfraquecem, a enxameação se torna inevitável.
Os Feromônios da Rainha e Seus Efeitos na Enxameação
Feromônio Supressor de Rainhas
Produzido nas glândulas mandibulares. Suprime o desenvolvimento ovariano das operárias e inibe a colônia de preservar larvas com potencial de rainha. Quando a rainha envelhece, sua produção decresce — liberando o processo de produção da virgem.
Feromônio de Coesão Colonial
Mantém a identidade e a unidade da colônia. Operárias recrutam companheiras e mantêm comportamentos coordenados em resposta a esse sinal. Na pré-enxameação, o perfil desse feromônio se altera — sinalizando às operárias que algo diferente está prestes a ocorrer.
Feromônio de Postura Ativa
Sinaliza às operárias que a rainha está em plena capacidade reprodutiva — estimulando comportamentos de nutrição, construção de células de cria e aprovisionamento. A queda desse sinal com o envelhecimento da rainha acelera o processo de produção da virgem substituta.
Feromônio de Orientação
Permite que operárias localizem e acompanhem a rainha dentro do ninho. É esse sinal que forma a “comitiva real” observada durante inspeções. No momento da partida do enxame, a rainha virgem emite versão própria desse feromônio — atraindo as operárias que a acompanharão.
O mecanismo é elegante: a própria rainha carrega em si o temporizador biológico da enxameação. Enquanto jovem e produtiva, seus feromônios mantêm a colônia unida e suprimem a produção de rivais. Com o envelhecimento natural — ou com a superlotação que dilui a concentração de feromônio no ar interno do ninho — o sinal se enfraquece, e a colônia “percebe” que chegou a hora de produzir uma sucessora e iniciar a multiplicação.

Close de rainha physogástrica de jataí com abdômen distendido, cercada pela comitiva de operárias, nos discos de cria — visão de cima durante inspeção
alt=”rainha physogástrica de jataí cercada por comitiva de operárias durante inspeção”
✨ O Papel da Rainha Virgem: A Fundadora do Novo Mundo
Se a rainha velha é o centro de equilíbrio da colônia existente, a rainha virgem é a semente da colônia futura. Seu papel na enxameação é ativo, progressivo e termina com uma das aventuras mais extraordinárias do mundo dos insetos — o voo nupcial.
Fase 1 — Desenvolvimento
A Rainha Virgem é Produzida pela Colônia
Quando os feromônios da rainha velha enfraquecem — por envelhecimento ou superlotação — as operárias param de destruir as células de cria com potencial de rainha. Larvas fêmeas com o genótipo duplo heterozigoto (AaBb) recebem maior quantidade de alimento e completam o desenvolvimento como rainhas virgens. O processo leva aproximadamente 39 dias na jataí. A rainha velha não interfere diretamente — seu enfraquecimento feromonal é, em si, o sinal que inicia tudo.
Fase 2 — Emergência
A Virgem Emerge e a Colônia Entra em Decisão
A rainha virgem mastiga a tampa de cerume e emerge — cutícula ainda mole, abdômen do mesmo tamanho que uma operária. Sua presença divide a colônia: parte das operárias a alimenta e protege, parte testa seu perfil feromonal. É nesse momento que a “votação coletiva” das operárias determina se essa virgem específica liderará o enxame — ou será executada como excedente. Uma colônia em modo de enxameação normalmente preserva a virgem principal e elimina as demais.
Fase 3 — Alimentação Intensa
A Virgem é Preparada para a Jornada
Nos dias anteriores à partida, a rainha virgem escolhida é alimentada intensivamente pelas operárias — ela acumula reservas energéticas no abdômen que sustentarão os primeiros dias no novo ninho. Simultaneamente, operárias carregam mel e material de construção para o novo local já identificado. A virgem é escoltada, aquecida e protegida — tratada como a fundadora que ela está prestes a se tornar.
Fase 4 — A Partida
A Rainha Virgem Lidera o Enxame — Sem Voar na Frente
Aqui está um detalhe que surpreende: a rainha virgem da jataí não voa à frente do enxame como uma líder visível. O enxame parte em fluxo gradual — operárias saem em grupos ao longo de horas — e a rainha virgem parte no meio desse fluxo, protegida pelas operárias ao seu redor. Sua localização é comunicada por feromônio — as operárias a seguem pelo cheiro, não pela visão. Quando o fluxo principal chega ao novo ninho, a rainha virgem já está ou logo estará presente no novo local.
Fase 5 — O Voo Nupcial
A Fecundação: O Momento Mais Crítico da Vida da Rainha
Dias após a chegada ao novo ninho — quando sua cutícula está endurecida e seus músculos de voo maduros — a rainha virgem realiza o voo nupcial: sua única saída do ninho em vida. Durante esse voo, ela é fecundada por múltiplos machos (3 a 8 de colônias diferentes) e armazena o esperma coletado na espermateca — estrutura onde o esperma permanece viável por toda sua vida reprodutiva (2 a 5 anos). Ao retornar, ela jamais sairá do ninho novamente.
Fase 6 — Postura Inaugural
A Rainha Virgem Torna-se Rainha Physogástrica
Fecundada e de volta ao novo ninho, a rainha começa a posturar em dias a semanas. Com cada ovo depositado, seu abdômen se distende progressivamente — o processo de physogastria que a transformará na rainha physogástrica madura que caracteriza colônias saudáveis de meliponíneos. Seu perfil feromonal se altera para sinalizar às operárias seu novo status reprodutivo. A nova colônia está oficialmente fundada.

Rainha virgem de jataí recém-emergida, com abdômen do mesmo tamanho da operária, cutícula clara, sendo alimentada por operária ao lado — visão macro
“Rainha virgem de jataí recém-emergida sendo alimentada por operária da colônia”
🔒 O Que Acontece com a Rainha Velha Durante a Enxameação?
Enquanto toda a atenção parece se voltar para a rainha virgem e o enxame que parte, a rainha velha vive um período de transição silencioso mas significativo dentro da colônia mãe. Entender o que acontece com ela é fundamental para o meliponicultor:
DiminuiPostura da rainha velha nos dias que antecedem a enxameação
7–14 diasPara retomar a postura normal após o enxame partir
MantémControle feromonal da colônia mãe durante todo o processo
Não saiA rainha velha nunca abandona a colônia mãe durante a enxameação
Nas semanas que antecedem a enxameação, a rainha velha frequentemente reduz temporariamente sua taxa de postura — uma adaptação que libera operárias da função de nutriz para as funções de preparação do enxame (construção, carregamento de recursos, acompanhamento da virgem). Após a partida do enxame, a postura retoma o ritmo normal em uma a duas semanas, e a colônia mãe recupera sua população perdida em 30 a 60 dias.
👑 Um aspecto fascinante: A rainha velha e a rainha virgem coexistem dentro da colônia por dias a semanas antes da partida do enxame — geralmente sem conflito direto entre elas. Quem “decide” o destino da virgem (partir ou ser eliminada) são as operárias, não a rainha velha. Esse controle coletivo — sem hierarquia entre as duas rainhas — é um dos aspectos mais únicos da organização social dos meliponíneos.
📊 O Papel da Rainha na Enxameação: Comparativo Completo
| Aspecto | Rainha Velha (Mãe) | Rainha Virgem (Fundadora) | Em Apis mellifera |
|---|---|---|---|
| Destino na enxameação | Permanece na colônia mãe | Parte com o enxame | Rainha velha parte; nova fica |
| Estado reprodutivo | Physogástrica, fecundada, com esperma na espermateca | Virgem — fecundação ocorre depois, no novo ninho | Rainha que parte já é fecundada |
| Papel nos feromônios | Feromônios enfraquecidos disparam o processo; mantém controle da colônia mãe | Seus feromônios recrutam operárias acompanhantes do enxame | Rainha velha recruta enxame com seus feromônios |
| Atividade de postura | Reduz temporariamente; retoma após o enxame partir | Começa a posturar semanas após chegar ao novo ninho | A nova rainha começa a posturar após o voo nupcial |
| Interação com a outra rainha | Coexiste com a virgem sem conflito direto | Coexiste com a velha — decisão de destino é das operárias | Nova rainha destrói células rivais ativamente |
| Risco para a colônia mãe | Mínimo — colônia mantém rainha experiente e estabelecida | — | Alto — colônia fica temporariamente sem rainha experiente |
| Voo nupcial | Já realizado — esperma armazenado há anos | Realizado após chegar ao novo ninho | Nova rainha realiza voo nupcial na colônia mãe |
“Na enxameação dos meliponíneos, a rainha velha não é a protagonista que parte em busca do novo mundo — ela é a âncora que mantém o velho mundo intacto enquanto uma jovem rainha funda o novo. É uma das estratégias reprodutivas mais eficientes que a evolução produziu.”— Prof. Paulo Nogueira-Neto, pioneiro da meliponicultura científica brasileira, adaptado
🧑🌾 O Que o Meliponicultor Precisa Saber Sobre Isso
Entender o papel de cada rainha na enxameação tem consequências práticas diretas para o manejo do meliponário — e evita alguns dos erros mais custosos que iniciantes cometem:
Sobre a rainha velha
. Nunca remova a rainha velha para “forçar” a enxameação: retirar a rainha mãe não provoca enxameação — provoca orfandade, que é uma crise, não uma oportunidade. A rainha velha é o ativo mais valioso da colônia mãe
- Rainha velha com postura reduzida é sinal de enxameação, não de problema: a redução temporária de postura nas semanas que antecedem a enxameação é biológica e esperada — não intervenha
- A colônia mãe se recupera rapidamente: em 30 a 60 dias após o enxame partir, a rainha velha retoma a postura plena e a população se restaura. Não é necessário alimentar ou intervir, salvo em período de escassez extrema
Sobre a rainha virgem
- Não abra a nova colônia por 30 dias: a rainha virgem precisa de tranquilidade para realizar o voo nupcial, retornar ao ninho e iniciar a postura. Qualquer perturbação nesse período pode abortar o processo e resultar em orfandade
- Se encontrar rainha virgem na inspeção da colônia mãe: é o sinal mais confiável de enxameação iminente — prepare a caixa isca imediatamente se ainda não tiver feito
- Para divisão assistida: a rainha virgem pode ser transferida com discos de cria e operárias para uma caixa nova — mas nunca isole a virgem sem operárias, ela não sobrevive sozinha mais que poucas horas
- Nunca confunda rainha virgem com operária: a virgem tem abdômen ligeiramente maior e se movimenta de forma diferente — sem a escolta sistemática da physogástrica, mas com mais “atenção” das operárias ao seu redor do que uma operária comum recebe
FAQ — O Papel da Rainha no Processo de Enxameação das Abelhas Sem Ferrão
1. Quantas rainhas participam do processo de enxameação? Duas: a rainha velha (mãe) e a rainha virgem. Cada uma desempenha um papel completamente distinto — a velha permanece na colônia original, enquanto a virgem parte com o enxame para fundar uma nova família.
2. A rainha velha vai embora com o enxame, como acontece com as abelhas europeias? Não — e essa é uma das diferenças mais importantes entre os meliponíneos e a Apis mellifera. Nas abelhas sem ferrão, a lógica é invertida: a rainha experiente e fecundada fica na colônia mãe, e quem parte para o novo ninho é a rainha virgem, recém-emergida e ainda não fecundada.
3. Por que a rainha velha fica e não a virgem? É uma estratégia evolutiva eficiente. Manter a rainha velha na colônia original preserva anos de adaptação local, calibração feromonal e diversidade genética já estabelecida. A colônia mãe mal perde produtividade — a rainha retoma a postura em poucos dias. É um custo reprodutivo mínimo para a colônia original.
4. Qual é o papel dos feromônios da rainha velha na enxameação? Um papel paradoxal: durante toda sua vida produtiva, os feromônios da rainha velha suprimem a produção de novas rainhas e mantêm a coesão da colônia. Quando esses feromônios enfraquecem — por envelhecimento ou superlotação — a colônia “percebe” que chegou a hora de produzir uma sucessora. O enfraquecimento feromonal é, em si, o gatilho que inicia todo o processo.
5. Como a rainha virgem é produzida? Quando os feromônios da rainha velha enfraquecem, as operárias param de destruir células de cria com potencial de rainha. Larvas fêmeas com o genótipo adequado recebem maior quantidade de alimento e completam o desenvolvimento como rainhas virgens. Na jataí, esse processo leva aproximadamente 39 dias.
6. A rainha virgem voa na frente do enxame como líder? Não. Ela parte no meio do fluxo de operárias, protegida ao seu redor. As operárias a seguem pelo feromônio — pelo cheiro —, não pela visão. O enxame parte em fluxo gradual, com grupos de operárias saindo ao longo de horas.
7. Quando a rainha virgem se fecunda? Somente após chegar ao novo ninho e ter sua cutícula endurecida e os músculos de voo maduros — o que ocorre alguns dias depois da chegada. Ela realiza então o voo nupcial, sua única saída do ninho em vida, sendo fecundada por 3 a 8 machos de colônias diferentes. O esperma coletado fica armazenado na espermateca e é suficiente para toda a sua vida reprodutiva (2 a 5 anos).
8. O que acontece com a rainha velha durante e após a enxameação? Nas semanas que antecedem a partida do enxame, ela reduz temporariamente a taxa de postura — o que libera operárias para as tarefas de preparação. Após o enxame partir, retoma o ritmo normal em 1 a 2 semanas, e a colônia recupera sua população em 30 a 60 dias.
9. A rainha velha e a virgem brigam dentro da colônia? Não. As duas coexistem por dias a semanas antes da partida do enxame, geralmente sem conflito direto. Quem decide o destino da virgem — se ela vai partir ou ser eliminada — são as operárias, não a rainha velha. Esse controle coletivo é um dos aspectos mais únicos dos meliponíneos.
10. Posso remover a rainha velha para forçar a enxameação? Não. Retirar a rainha mãe não provoca enxameação — provoca orfandade, que é uma crise séria para a colônia. A rainha velha é o ativo mais valioso da colônia mãe e nunca deve ser removida com essa intenção.
11. Por que não devo abrir a nova colônia logo após receber o enxame? A rainha virgem precisa de tranquilidade para realizar o voo nupcial, retornar ao ninho e iniciar a postura. Qualquer perturbação nesse período pode abortar o processo e resultar em orfandade. O recomendado é aguardar pelo menos 30 dias antes da primeira inspeção.
12. Como sei se um enxame capturado ficou órfão desde o início? Se após 40 dias na caixa isca não houver sinais de postura (células de cria operculadas), é provável que o enxame tenha partido sem rainha virgem. Sem rainha, a colônia não se estabelece e se dissolve. Uma rainha virgem de outra colônia pode ser introduzida como alternativa, se disponível.
Sobre o processo geral
- Se a rainha velha morreu durante a enxameação: situação rara mas possível — a colônia mãe ficará órfã. Verifique se há cria jovem (menos de 3 dias) para produção de rainha de emergência. Se não houver, introduza uma rainha virgem de outra colônia
- Se o enxame partiu sem rainha virgem: o novo ninho nunca se estabelecerá — sem rainha, sem postura, a colônia se dissolve. Uma caixa isca com enxame que não apresenta postura após 40 dias provavelmente está órfã desde o início
- Conclusão: A Rainha é o Eixo de Tudo — Mas Não Decide Sozinha
O papel da rainha na enxameação das abelhas sem ferrão é ao mesmo tempo central e paradoxal. A rainha velha não ordena a enxameação — mas seu envelhecimento e o enfraquecimento de seus feromônios são o gatilho que a torna possível. A rainha virgem não lidera visivelmente o enxame — mas é ela quem carrega o potencial genético que fundará a nova colônia. E nenhuma das duas decide sozinha qualquer coisa — são as operárias que, processando sinais de ambas as rainhas, orquestram o processo inteiro.
Para o meliponicultor, esse entendimento transforma a forma de intervir — ou de escolher não intervir. Saber que a rainha velha ficará e a virgem partirá evita erros custosos. Saber que os feromônios da rainha velha são o relógio biológico da colônia explica por que certas colônias enxameiam regularmente e outras não. E saber que a rainha virgem precisa de 30 dias de paz para se fecundionar e iniciar a postura é a diferença entre um enxame que prospera e um que colapsa.
A rainha é o coração do processo. Mas o processo é da colônia inteira.
Abel Melquiades é o criador do **Meliponicultura do Zero**, um entusiasta e praticante da criação de abelhas sem ferrão que acredita que o conhecimento só faz sentido quando é compartilhado. Sua trajetória na meliponicultura começou de forma simples, aprendendo na prática, observando as colônias, respeitando os ciclos naturais e entendendo que cada espécie tem seu próprio ritmo. Com o tempo, essa vivência se transformou em experiência sólida, unindo estudo, testes reais e muito cuidado com o bem-estar das abelhas. O blog nasceu do desejo de orientar iniciantes com uma linguagem clara e acessível, mostrando que é possível começar do zero, com responsabilidade, consciência ambiental e paixão pela natureza.








